sexta-feira, agosto 28, 2009

descoberta



aqui agora no alto da montanha
vêem-se somente matos, flores vermelhas
aranhas exóticas, insetos camuflados

não há nada perturbador
as coisas estão como devem estar
pode aparecer uma nuvem negra
pode chover, pode trovejar
mas o poder está justamente nisso
a imutabilidade mutável do universo

e você ali parado olhando
querendo compreender e encaixar fórmulas
querendo descobrir o indecifrável
querendo atinar com o desatino insano
da força imensurável da natureza

e eu te olhando ali parada
querendo te decifrar
querendo descobrir o seu mistério

nesse momento, nesse segundo
somos únicos, somos iguais

a montanha testemunha
esse instante mágico
instante em que nos tornamos magos
instante em que somos infinitos

quinta-feira, agosto 27, 2009

CÓDIGO DA VIDA


SE LEONARDO DÁ VINTE
PEDRO DÁ DEZ
MIGUEL DÁ CINCO
VOCÊ NÃO DÁ NADA!

QUE TIPO DE HOMEM
PENSA QUE É??

VAI DAR COM OS BURROS N'ÁGUA!
MISERÁVEL, FILHO DA PUTA!

(imagem: acho que é do rafael godoy, estava no meio de seus trabalhos sem assinatura)

sexta-feira, agosto 21, 2009

vento de agosto

paisagem/rafael godoy

as luzes da cidade acenderam a noite
e estou do outro lado

penso quando não pensava no tempo
e tinha sempre uma lua inventada

os pássaros escuros varrem os insetos
este espaço é muito vasto

o vento de agosto entra no meu quarto
e não ouço o seu barulho
e sinto suas mãos frias
e a noite acesa do outro lado

me escondo no escuro
e a imensidão fica pequena

quero fechar as janelas
mas a lua é imensa
levanto-me no vento
e me curvo às suas frases de pedra

quinta-feira, agosto 20, 2009

Tem um poema meu lá!!

Pessoal, o Lívio Oliveira, mais uma vez, postou um poema meu em seu blog Teorema da Feira. Por incrível que pareça, desse eu gosto. O cara teve sensibilidade para escolher. Então, quem quiser conferir, clique aqui . Beijos.

terça-feira, agosto 18, 2009

última bossa

imagem google
mágico silêncio que perturba
essa noite na guanabara
e o o cristo de braços abertos
olha para os últimos boêmios
resquícios de uma geração

sempre à espera
da garota de Ipanema
do Leblon ou de Copacabana

esperam sentados
tomando copos de uísque e cerveja
misturados às suas lembranças e delírios

os cigarros antes sensuais
deixam amarelados os dentes e os dedos
a fumaça esconde suas rugas
e o álcool os faz renascer

no cantinho um violão
joão ainda na vitrola
e o mar uma neblina densa

o redentor os admira
esses homens absolutos em sua dignidade
fiéis a uma história
fiéis a uma época
em que era possível sonhar
sonhar paixões sonhar um país

o cristo se inclina por um momento
levanta a mão e chora

só eles os poetas da cidade sabem
só eles os guardiães da cidade podem chorar
pelo menos esta noite
pelo menos nesta derradeira noite da guanabara

(republicado e muito modificado)

quinta-feira, agosto 13, 2009

noite blues

van gogh

Não podia ouvir mais esse blues. O nome do cantor não sabia, mas tinha uma voz meio rouca, quase doce. Entrava na minha alma, como se entra em um lugar conhecido. Desliguei o som e saí pela cidade à procura de um lugar que me fizesse esquecer de algum modo o peso do dia. Não vi nenhum rosto conhecido. Entrei em um boteco querendo beber alguma coisa, porque estava frio. Já era noite. E então vi alguns homens jogando sinuca em um êxtase quase animal. Foi como a cena de um filme, eles pegavam o taco como se pega uma mulher. Mexiam, giravam o corpo miravam o buraco, contorciam-se feito serpentes. Ali naquela hora pude perceber um sentido para a vida. Um deles chegou perto de mim e me ofereceu um conhaque, sentou
-se a minha mesa e ficou me olhando. Não falou nada, eu também não. Ficamos ali, talvez, minutos, horas, a noite toda. Bebemos mais vários conhaques, o corpo quente, a alma inquieta. E então ouvi aquele som, um blues cantado por uma voz rouca e quase doce. Acho que ele me beijou e disse alguma coisa sobre os perigos da noite.

domingo, agosto 09, 2009

sábado, agosto 08, 2009

casa velha


atrás do fogão fantasmas
nos quartos de portas frias
dormem sós as velhas tias
a geladeira congela
a vida que a casa tinha
vozes quase inaudíveis
dos fantasmas na cozinha
a noite grande e tamanha
a água na bica cintila
a casa não é minha
no balanço da cadeira
o avô invoca
santos e donzelas
no canto a neta espia
a dança das escravas mortas
na janela a lua agoniza
à espera de um novo dia

quinta-feira, agosto 06, 2009

Passa lá !

Gente, hoje é a minha estreia no blog Maria Clara. Tem um poema meu. Então, se tiverem a fim, passem lá . Acho que vale a pena conferir, senão o meu poema, mas das outras poetas. Pronto, falei. Beijos.


segunda-feira, agosto 03, 2009

na pia espuma branca

técnica:pastel seco/rafael godoy

as montanhas me cobrem os olhos tão longe
e a noite com suas sombras negras não me deixam ver mais
tem os cabelos nascidos para o sol sua lucidez me perturba
na pia espuma branca com pontos negros e cheiro de lavanda
limpo tudo o sabonete no chão
não posso mais compartilhar suas manhãs
seu cheiro misturado ao vapor do espelho
nem a pasta de dente sem tampa
está tão perto
mas não de mim

OLHA SÓ!!!

Tive a grata surpresa de ver meu texto "rosas brancas" no blog Teorema da Feira. Fiquei mais uma vez surpresa e feliz. O Lívio Oliveira é que cometeu essa "sandice". Então, gente, quem quiser dar uma força, apareça por lá. Obrigada e beijos.